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A arte, já muitas vezes alguém o disse, é negócio demasiado lucrativo para que apenas seja considerada uma forma de expressão, de diversão, ou mesmo de contestação. A sociedade mercantil e as regras do espectáculo (lucro, imagem, estatuto) concebem-na e reconcebem-na segundo a sua eficácia consumível, mesmo que esta lhe pareça hostil.

A autoprodução é uma das formas de luta contra o mercantilismo da arte. Alheada das contradições e crises do sistema, estabeleceu-se uma rede alternativa ao cinzento e vazio instituídos, em que o que conta é a atitude e a forma de pensar.

A Confronto formou-se em 1992 quando surgiu a necessidade de colmatar uma  lacuna presente na região portuguesa: a inexistência de uma forma fácil e rápida de tomar contacto com um tipo de imprensa, literatura ou música a que tradicionalmente apenas um reduzido número de pessoas tinha acesso.

Ao proverbial imobilismo e miserabilismo do “não temos meios para isso” respondemos, então, com o empenho e a ousadia suficientes para ajudar a estilhaçar vários círculos fechados. Mas potenciar a contracultura, desenvolver relações de amizade e comunicação entre pessoas com vontade de luta e criatividade são tarefas muito difíceis — o embrutecimento cultural e a falta de visão alternativa da maioria (sempre silenciosa), a falta de locais onde possamos organizar um espaço de encontro regular de ideias, e a quase completa ausência de canais que nos permitam divulgar o nosso trabalho são, às vezes, condições suficientes para desesperar.

Assim continuamos, no entanto a aderir a novos projectos: para além do melhoramento do catálogo de distribuição, da sua presença na Internet, não esquecemos esse objectivo, já timidamente ensaiado há dois anos atrás, que é a edição de livros.

Gravura de Flavio Constantini.: Chicago, final da tarde do dia 3 de Maio de 1886. Cerca de 8000 grevistas concentram-se à porta da fábrica de máquinas agrícolas MacCormick para insultar os amarelos; são recebidos com tiros de revólver pela polícia e agentes de Pinkerton.

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