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SADE

por L. Gambone

D.A.F. Sade é, sem dúvida, o mais difamado escritor e filósofo que o mundo já conheceu. Ao mesmo tempo que tem sido apelidado de pornógrafo por comentadores superficiais e por todos aqueles com óbvias tendência totalitárias, poucos se colocaram a par das suas ideias políticas e sociais. Existe até uma menor compreensão acerca das razões por detrás das imagens horríveis que predominam em algumas das suas obras. Que alguém possa facilmente obter um entendimento sobre os reais motivos através dos seus romances e panfletos importa pouco, parece. Como em todas as figuras controversas, os seus escritos são mais caluniados do que realmente lidos.

Sade passou a maior parte da sua vida na prisão, uma vítima de inimigos pessoais e políticos. Como resultado de uma lettre de cachet a Bastille foi a sua residência por muitos anos, e esteve ainda lá encarcerado no Verão de 1789. Diversas semanas antes de os parisienses irromperem por aquele edifício, Sade atirou da sua janela panfletos escritos à mão que descreviam as degradantes condições prisionais; depois dirigiu-se à multidão abaixo usando um megafone artesanal. Estas acções podem ter ajudado a despoletar a Revolução Francesa. Após ter sido liberto da prisão, foi eleito presidente da sua secção local da cidade e iniciou uma campanha anti-religiosa que serviu para radicalizar a direcção da revolução. Todavia opôs-se veementemente à fase de Terror que se seguiu. Quando os pais da sua mulher (que foram responsáveis pelos muitos anos que passou na prisão) foram levados perante ele como contrarevolucionários, ele recusou que fossem executados. Por este acto de clemência, os “ultra” Jacobinos prenderam Sade como um “moderado” e foi condenado à morte. Ficou quase um ano na prisão aguardando, a qualquer momento, a guilhotina. A libertação chegou com o fim do Terror, e os seus poucos anos de liberdade foram passados na mais abjecta pobreza. Quando Napoleão tomou o poder, Sade não resistiu a escrever uma sátira sobre o pequeno ditador, e como resultado foi condenado a passar o resto da sua vida num asilo para doentes mentais.

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Este é um excerto de um artigo intitulado Anarchy, and the Works of Sade originalmente publicado no nº83 da revista The Match (Arizona, EUA).

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